Saiba como lidar com as crianças com déficit de atenção

TDAH é a abreviação de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade. Transtorno que pode ser encontrado de forma bem recorrente em crianças.

Os primeiros sintomas acontecem antes dos 7 anos de idade, e tendem a ir diminuindo conforme a idade vai passando. Há poucos relatos de adultos acometidos pelo transtorno TDAH.

É importante ressaltarmos que o diagnóstico deve ser feito por um profissional, como o pediatra ou o psiquiatra. E acompanhado por um psicólogo,  psicopedagogo ou neuropisicopedagogo. Pois somente dessa forma a criança pode seguir o tratamento medicamentoso e psicológico.

Em outras palavras, além dos remédios, é muito importante um acompanhamento multidisciplinar onde seja possível o acompanhamento do um psicólogo, psicopedagogo e se possível de um neuropsicopedagogo, para a atuação mais adequada para cada caso.

O que causa o déficit de atenção?

A causa do TDAH ainda é incerta. A literatura recente acredita que é uma mistura de fatores ambientes e de fatores genéticos, mas ainda não há nada comprovado, são só teorias.

Para o diagnóstico é necessário preencher pelo menos 2 sintomas, nos últimos 6 meses, e em pelo menos 2 ambientes.

Há casos de TDAH em que ocorre a junção da hiperatividade e da desatenção. Por outro lado, há casos em que a criança preenche os requisitos de hiperatividade, sem desatenção. E ainda, existem os casos de TDAH em que a criança preenche os requisitos de desatenção, sem hiperatividade. E exatamente sobre este último caso que vamos falar em nosso artigo de hoje.

Quais os sintomas da desatenção?

  • Dificuldade de concentração nas atividades escolares, ou de lazer
  • Pessoa “avoada”
  • Pessoa que parece estar no mundo da lua
  • Pessoa que se distrai rápido e por qualquer estímulo
  • Comete erros bobos por não prestar atenção aos detalhes
  • Baixo desempenho escolar
  • Dificuldades em terminar tarefas
  • Desorganização
  • Não segue instruções
  • Apresenta lapsos da memória de curto prazo

Afinal, como lidar com crianças com déficit de atenção?

Além de proporcionar os tratamentos adequados para as crianças os pais e / ou responsáveis devem estar atentos aos comportamentos que envolvem o ambiente da casa, pois é onde as crianças passam a maior parte do tempo.

Mas sabemos que os pais não em muitos casos não saber como lidar com questões como essas, por isso o nosso artigo de hoje preparei várias dicas que podem ajudar.

1 – Criação de uma rotina

Para as crianças que sofrem com a desatenção a rotina é ideal e vai facilitar a vida delas, é a sua também. Portanto, crie um horário para tudo, para comer, tomar banho, brincar, fazer lições e dormir.

E mais importante do que criar a rotina é cumprir todos os dias! Crianças que sofrem com desatenção não devem sair da rotina nem aos finais de semana, e nas férias devem sair só quando não tiver possibilidades, como em uma viagem, por exemplo.

A rotina vai ajudar estruturar bastante a vida da criança, e a falta dela pode deixar a criança mais confusa e desorganizada.

2 – Diminua as distrações

Se o seu filho está fazendo uma atividade, qualquer que seja, estudar ou brincar, tente amenizar as distrações do ambiente. Nesse momento, se for possível desligue rádio ou televisão da casa (ou coloque em volume baixo).

Além disso, tente não interromper a criança, nem que seja para fazer uma pergunta ou um comentário! Se o seu desejo for falar com a criança espere até que ela termine o que está fazendo, nunca a interrompa no meio.

3 – Organização

As crianças que apresentam desatenção tendem a ter um alto nível de desorganização, e para as ajudar com isso você deve determinar locais na casa onde todas as coisas são guardadas.

Por exemplo, uma caixa para brinquedos, outra para livros, uma gaveta para calças, outras para camisetas, e assim vai indo. Quanto mais você conseguir estruturar e colocar cada coisa em um lugar, melhor.

Também faça a criança sempre guardar seus objetos no lugar correto, para ela memorizar onde cada coisa deve ser colocada. Sempre que ela não fizer chame atenção, e peça para ela guardar. Se caso ela guarde no local errado faça a mesma coisa, tire do local e peça para ela colocar no certo.

Nunca organize pela criança.

4 – Crie metas pequenas e possíveis

Pessoas que sofrem com desatenção, como vimos, tem maior dificuldade para terminar tarefas, seja ela qual for. Por isso, sempre que estiver brincando ou ensinando algo para o seu filho crie metas pequenas, por exemplo.

Se existem 4 exercícios para serem feitos a meta é terminar apenas um. Quando a criança terminar você pode a elogiar, dar um beijo ou um carinho, por exemplo. Isso vai a motivar para a próxima tarefa, que também deve ser curta.

5 – Celebre bons comportamentos

Os pais de criança que sofrem com desatenção, por vezes, passam o tempo todo apontando os comportamentos errados, e quando comportamentos esperados aparecem simplesmente ignoram.

O reforço positivo ajuda muito nesses casos, por isso é essencial sempre reforçar para criança o quanto você valorizou o comportamento que ela acabou de ter.

6 – Limite as escolhas oferecidas

Não funciona dar mil opções para uma criança que sofre de desatenção, ou ela vai esquecer quais foram as opções, ou vai ter dificuldades em fazer sua escolha.

Portanto, se for pra criança escolher um brinquedo, um passeio ou mesmo um prato para jantar, limite a oferta.

O ideal é apresentar duas opções, no máximo três. Só assim a criança vai conseguir prestar um pouco mais de atenção no que está sendo oferecido para ela.

7 – Cuidado com a decoração do ambiente

Seja o ambiente de brincar, de estudar ou de dormir você deve estar atento aos estímulos que coloca, senão a criança vai ter muita dificuldade em realizar tarefas.

Sempre escolha o mínimo de interferências possíveis no ambiente, por isso evite muitos brinquedos, cores fortes, entre outras coisas.

O ideal é oferecer um ambiente bem clean, bem iluminado, em um canto da casa onde faz menos barulho, e confortável.

Lidar com uma criança com desatenção não é uma tarefa fácil, por isso além das dicas contar com profissionais de confiança pode ser essencial para os pais e / ou cuidadores.

E se você gostou do nosso artigo de hoje continue em nosso site e confira muito mais.

Por Sandra Padula – Psicóloga, Pedagoga, Neuropsicopedagoga, Mestre em Educação, Arte e História da Cultura e Fundadora do Espaço Diálogos do Saber

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