É comum que a vida adulta seja marcada para uma competição de habilidades, mas e quando todo esse nosso ritmo de competição começa a afetar os nossos filhos?

Hoje existem inúmeras possibilidades para o desenvolvimento da aprendizagem das crianças, escolas integrais, cursos de línguas, natação, informática, dança, lutas e por aí vai.

E os pais por vezes acham que estão fazendo bem, afinal, seu filho de 6 anos sabe nadar, falar inglês, tem se tornado um gênio na matemática e, ainda, joga futebol como ninguém. Mas, isso é saudável?

Muitos pais se preocupam em encher a agenda dos filhos, seja pra estimulo ou pra suprir a ausência em suas vidas. Acontece que nem sempre isso é feito de forma equilibrada e acaba deixando a criança sobrecarregada, e tendo um efeito inverso do que era esperado. Este excesso acaba, por vezes, diminuindo o sucesso escolar. E mais grave que isso, tornando essas crianças ansiosas e depressivas desde muito cedo.

Depois de ler tudo isso você deve estar se perguntando, coloco meu filho em atividades extras? Não coloco? A partir de quando é sobrecarga?

Então, vamos lá.

Atividades extracurriculares são saudáveis?

 Claro que sim.

É muito legal que os pais consigam colocar a criança em outra atividade, ou em curso de línguas. Além de melhorar as habilidades faz com que convivam com outras pessoas e outros métodos de aprendizagem. Então sim, é saudável que a criança tenha outra atividade.

No entanto, é preciso prestar atenção. O ideal é que isso seja a partir dos 7 ou 8 anos. Antes disso, estimule seu filho em casa e com as atividades escolares.

Com a idade entre 7 ou 8 anos, seu processo de alfabetização e adaptação a ambientes com regras e horários, vão estar mais ajustados. Além da sua capacidade de socialização e aprendizagem formal, ele vai se beneficiar muito mais.

Quando se torna sobrecarga?

 É difícil associarmos um limite diário em horas ou atividades, mas o ideal é achar o equilíbrio. Por exemplo, se a criança faz uma escola em período integral, procure uma instituição onde tenha outras atividades incluídas, como esportes, brincadeiras, dança, espaço criativo, etc. Não é saudável seu filho passar o dia todo na escola, sair no final da tarde e ainda ter uma aula de luta, por exemplo.

Preencher o dia da criança a ponto de sair de uma atividade e ir para outra também não é saudável, uma vez que, criança precisa de pausas entre as atividades.

Preencher o final de semana da criança também não é o indicado. Você deve se perguntar, “Meu filho está tendo tempo para brincar, todos os dias?’’ se a resposta for não, com certeza a agenda do seu filho deve ser reprogramada.

Crianças devem ter um tempo de lazer que inclua brincadeiras todos os dias, sim. Diferente do que muitos pensam, brincar desenvolve as capacidades físicas, emocionais e cognitivas, sendo de extrema importância para as crianças. Em uma brincadeira livre, onde possa usar a sua criatividade, a criança pode aprender muito mais do que em uma atividade formal, por exemplo.

Como a sobrecarga pode ser um bloqueio para a aprendizagem?

 A sobrecarga pode ser um bloqueio a partir do momento que a criança sente-se tão cansada que fica com sono na escola, e desatento durante as aulas ou começa associar o ambiente escolar como algo maçante. Além disso, pode se mostrar mais estressada e irritada pela sobrecarga, influenciado, assim, sua relação com professores e amigos. Começa a não fazer lições ou fazer de qualquer jeito, pois chega em casa depois de um longo dia de atividades, e não sente mais disposição.

Como identificar que meu filho está sobrecarregado?

 Como falamos acima, se você perceber que seu filho está sem tempo pra brincar, ou faz atividades aos finais de semana é hora de repensar, mas tem outros sinais que a criança sobrecarregada por apresentar, como:

  • Ansiedade
  • Estresse
  • Tristeza
  • Irritabilidade
  • Cansaço
  • Sono excessivo
  • Terror noturno
  • Pesadelos
  • Choro excessivo
  • Recusa das atividades
  • Introversão
  • Desânimo
  • Angústia
  • Medo excessivo
  • Diarreia
  • Tiques nervosos
  • Dores de cabeça
  • Gagueira
  • Tensão muscular
  • Hiperatividade
  • Ranger os dentes
  • Distúrbios do apetite

É importante que os pais identifiquem logo os sintomas associadas a sobrecarga, para que não se tornem coisas mais graves, como depressão infantil, fobias ou síndrome do pânico.

Como resolver o problema

Muitos sintomas podem desaparecer logo quando a rotina voltar a ser mais tranquila. Outros sintomas podem persistir ou se agravar, por isso, é importante que os pais procurem um psicólogo, para que a criança tenha um espaço de escuta, no qual possa expressar suas emoções e sentimentos. Além de ser um ambiente que promove o brincar e a criatividade. O psicólogo também vai trabalhar com os pais, dando as melhores orientações acerca do caso.

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DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM: 7 BLOQUEADORES QUE PREJUDICAM AS CRIANÇAS A APRENDER NA ESCOLA

Por Sandra Padula – Mestre em Educação, Arte e História da Cultura, Psicóloga, Pedagoga, Neuropsicopedagoga e Fundadora do Espaço Diálogos do Saber

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