Dificuldades de aprendizagem podem se manifestar por problemas emocionais

Por muito tempo a relação da criança com o seu sucesso ou fracasso escolar era ligado ao fator inteligência. Questões culturais, sociais, pedagógicas e emocionais eram totalmente descartadas desse contexto, até que com o desenvolvimento das áreas da pedagogia, psicopedagogia e psicologia, esses assuntos começaram a entrar no foco de pesquisas e intervenções. Graças a isso, hoje sabemos que as questões emocionais afetam sim o desempenho de uma criança na escola.

O que os pais precisam saber

Mesmo com a evolução da área, ainda é comum alguns adultos acreditarem que crianças e adolescentes não têm seu emocional abalado, porque não entendem a real situação de alguns problemas ou porque ainda não conhecem o que é realmente um problema.

Esse pensamento é equivocado, já que desde cedo as crianças sentem emoções. Talvez elas vão aprendendo com a maturidade a dar nome para o que sentem, mas a verdade é que as emoções tristes e felizes nos acompanham desde muito cedo, e evoluem conforme o nosso processo maturacional.

Um adulto que está passando por um problema em casa, pode diminuir seu ritmo de trabalho, ficar menos atento, cometer mais erros, isso porque seu emocional encontra-se abalado.

Com a criança temos a mesma situação, mas na escola, uma criança que está lidando com questões emocionais, pode diminuir seus resultados na escola.

Por vezes, os pais e até os professores não sabem o que fazer, ou nem associam esse declínio com a parte psicológica. Por isso no artigo de hoje vamos esclarecer melhor como as questões emocionais podem afetar e ser um bloqueador na hora da aprendizagem.

Como saber se a dificuldade de aprendizagem tem relação com problemas emocionais?

Em primeiro lugar é importante ressaltarmos que os problemas de aprendizagem são da ordem emocional, quando todas as questões físicas são descartadas, ok?

Então, se seu filho apresentou um declínio nos resultados escolares é importante que você procure médicos, psicólogos, neuropsicopedagogos e / ou psicopedagogos para descartarem questões físicas e neurológicas.  E só depois de testes, e por vezes exames, vamos descartar toda a parte orgânica e vamos tratar como uma questão emocional. Lembrando que a parte orgânica de um distúrbio ou transtorno, também traz consequências emocionais e, nesse caso, os dois fatores devem ser tratados.

Agora, que identificamos que seu filho é uma criança saudável, apresenta resultados maturacionais de acordo com as crianças de sua idade, e não tem nenhum prejuízo cognitivo o ideal é parar para analisar os ambientes que seu filho mais frequenta. E tentar identificar o que pode estar acontecendo nesses ambientes.

As crianças em idade escolar passam muito tempo em casa, ou na escola, e existem alguns fatores em ambos ambientes que podem fazer que questões emocionais apareçam, como por exemplo:

Casa: 

  • Separação dos pais
  • Morte de um ente querido
  • Morte de animais de estimação
  • Mudança de cidade, bairro ou casa
  • Violência física/psicológica/sexual
  • Ambiente hostil e/ou cheio de conflitos
  • Falta de tempo com os pais
  • Sobrecarga de atividades não tendo tempo de momentos de lazer
  • Nascimento de irmãos

Escola: 

  • Mudança de escola
  • Mudança de professor
  • Conflitos com professores
  • Conflitos com colegas
  • Bullying
  • Sentir-se excluído
  • Não se adaptar à metodologia da escola em questão
  • Ambiente punitivo

O que fazer quando identificar uma questão emocional?

Como podemos ver, em algumas situações, os pais podem agir diretamente, como por exemplo, conversando com os professores sobre o bullying, dando mais atenção aos filhos, ou em casos extremos, até mudando de escola.

Outras situações, os pais não têm muito o que fazer, como luto, separações e mudanças. A ação a ser tomada nesses casos, será a de oferecer afeto e um espaço de escuta para o filho. Nas duas situações é altamente recomendável levar seu filho para um psicólogo.

O que faz o psicólogo nesses casos?

 Por ser preparado para o atendimento de crianças e em fases do seu desenvolvimento, o psicólogo vai montar intervenções e um espaço de escuta para a criança. E isso pode se dar por meio de jogos, brincadeiras, desenhos e conversas.

Dessa forma, os sintomas vão sendo aliviados, e o desempenho escolar do seu filho volta a subir. Além disso, o psicólogo trabalha diretamente com os pais, dando a eles as orientações de como agir nessas situações.

É importante que os pais e a escola entendam e respeitem o momento da criança.

Cada criança tem o seu tempo, algumas podem apresentar melhora com uma sessão de terapia, e outras, a partir de dez sessões. Depende da criança, e do problema emocional em questão. Por isso pais e professores serão grandes aliados do psicólogo.

Muitas vezes em situações de conflitos emocionais os pais sentem-se impotentes e sem saber o que fazer com as crianças. O mais importante é sempre oferecer afeto, espaço de diálogo e saber quando procurar uma ajudinha extra.

DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM: 7 BLOQUEADORES QUE PREJUDICAM AS CRIANÇAS A APRENDER NA ESCOLA

Por Sandra Padula – Mestre em Educação, Arte e História da Cultura, Psicóloga, Pedagoga, Neuropsicopedagoga e Fundadora do Espaço Diálogos do Saber

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