Psicopedagia: Entenda o que é, como surgiu e sua importância

 

Origem da psicopedagogia

A Psicopedagogia nasceu da necessidade de buscar soluções para a questão das dificuldades de aprendizagem, ela vem caminhando com a intenção de contribuir para uma melhor compreensão desse processo.

Segundo Rubinstein a psicopedagogia “[…] surgiu da inquietação e insatisfação dos profissionais que tratavam das dificuldades de aprendizagem. […]” (RUBINSTEIN apud SCOZ, et. al 2003, p. 127-128). Ressalto que a importância dada por esses profissionais era no “tratamento das dificuldades”, não havia uma análise ou investigação da situação do aluno para diagnosticar os problemas e causas das dificuldades de aprendizagem considerando a história de vida do aluno bem como seu processo cognitivo.

O que é a psicopedagogia

É uma ciência que estuda o processo de aprendizagem humana, que tem como objeto de estudo o ser humano em processo de construção do conhecimento.

É o campo do saber que se constrói a partir de dois saberes e práticas: a pedagogia e a psicologia, com influências de outras ciências como da psicanálise, linguística, semiótica, neuropsicologia, fonoaudiologia e da medicina.

A importância da psicopedagogia

A importância dada estava em afastar o mau funcionamento por meio de uma boa “ensinagem”, e como consequência, o aprendiz poderia integrar-se voltando a aprender normalmente. (RUBINSTEIN apud SCOZ, et, al 2003, p. 127-128).

Hoje sabemos que aprender não acontece através de “repetições de conteúdos”, e sim através de um processo que implica pôr em ações diferentes sistemas que intervêm em todo o sujeito: a rede de relações e códigos culturais e de linguagem que, desde antes do nascimento, têm lugar em cada ser humano à medida que ele se incorpora a sociedade. (BOSSA, 1994, p. 51).

Dessa maneira muitos alunos passam por problemas no processo de ensino-aprendizagem e precisam de uma investigação e intervenção profissional para que se compreenda o que está ocasionando suas dificuldades. Como nos diz a especialista Maria Augusta Mota de Miranda “O papel do psicopedagogo é de suma importância, porque ele vai agir como um “solucionador” para os problemas de conduta e aprendizagem.” (MIRANDA, 2011, p. 01).

Não há um consenso entre os pesquisadores com relação à definição do conceito de “dificuldades de aprendizagem”, porém entende-se por dificuldades de aprendizagem a incapacidade apresentada por alguns indivíduos diante de situações novas, desencadeadas por diversos fatores.

Vale lembrar que as dificuldades de aprendizagem não destinam apenas ao sistema educacional, o ser humano aprende mesmo antes de nascer e continua aprendendo durante sua existência.

Aqui, é necessária uma reflexão sobre a importância de pesquisar e ter conhecimento do que realmente o aprendiz sabe e do que ele não sabe. Não se deve rotular um aluno apenas por ele responder de forma diferente da forma esperada pela escola, mas se deve ter noção de como esse discente está construindo os conhecimentos que está adquirindo e por que está demonstrando um não aprender.

Para a criança atingir o sucesso na aprendizagem é preciso que a mesma supere determinadas integridades básicas através de oportunidades adequadas.

Saliento que, quando os “problemas na aprendizagem” surgem, este processo não é algo catastrófico e sem solução.

Trata-se de mostrar o caminho que o aluno está percorrendo sem as frustrações e condenações que se referem a não-aprendizagem.

A Psicopedagogia clínica procura compreender de forma global e integrada os processos cognitivos, emocionais, sociais, culturais, orgânicos, e pedagógicos que interferem na aprendizagem, a fim de possibilitar situações que resgatam o prazer de aprender em sua totalidade. Incluindo a promoção da integração entre pais, professores, orientadores educacionais e demais especialistas que transitam no universo educacional do aluno. (BOSSA, 2007, p. 67).

O psicopedagogo através do seu conhecimento técnico busca trabalhar a postura, a disponibilidade e a relação com a aprendizagem, a fim de que o aluno torna-se o agente de seu processo, aproprie-se do seu saber, alcançando autonomia e independência para construir seu conhecimento e exercitar-se na tarefa de uma correta autovalorização.

Por Sandra Padula – Mestre em Educação, Arte e História da Cultura, Psicóloga, Pedagoga, Neuropsicopedagoga e Fundadora do Espaço Diálogos do Saber

Referências
BOSSA, Nadia A. A psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. Porto Alegre: Artmed, 2007.
CÔRTES, Ana Rita Ferreira Braga. O estado do conhecimento acerca da psicopedagogia escolar no Brasil. Disponível em: Acesso em 14/03/2012.
MIRANDA, Maria Augusta Mota. A importância do psicopedagogo na instituição escolar. Disponível em:. Acesso em: 30/08/2011.
PAIN, Sara. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas. 1992.
PIAGET, Jean. A equilibração das estruturas cognitivas: problema central ao desenvolvimento. Rio de Janeiro: Zahar.1976.
SCOZ… et al.; Silvia Amaral de Mello Pinto, (Coord.) – Psicopedagogia: contribuição para a educação pós-moderna. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: ABPp, 2003.
SISTO, F. F. Aprendizagem e mudanças cognitivas em crianças. Petrópolis: Vozes,1997.

Share This