Cada vez mais temos presenciado situações de crueldade no ambiente escolar, essa agressão vai além das consequências físicas, ela traz abalos psicológicos.

Sabemos que ninguém nasce com pré-conceitos sobre um determinado assunto. A formação e o caráter do ser humano são construídos em sua personalidade desde bebê, a interiorização dos primeiros conhecimentos e experiências vivenciadas se constrói, em primeiro lugar, no interior da família e do grupo que essa criança está inserida.

A maior tarefa dos pais é ensinar a noção de respeito ao próximo, que consequentemente vem os conceitos de civilidade e convivência social.

A família e a escola são instituições fundamentais de constituição de valores éticos, morais e sociais que permeará a pessoa por toda a sua vida. Lamentavelmente e dentro dessas importantes instituições que começa o incentivo à violência.

Em todas as escolas do mundo existe o bullying, não é restrito a nenhum segmento de ensino: Educação Infantil, Ensino Fundamental ou Ensino Médio, seja ela uma instituição pública ou privada.

É neste ambiente que os estudantes entram em contato com diferentes valores de sua família. A escola é lugar perfeito de trocas e de aprendizado, em princípio, é nesse espaço que desde pequenos aprendem a dividir, compartilhar, a respeitar o outro, o meio ambiente e a regras sociais.

O bullying estimula a violência explícita, produz “cidadãos estressados, deprimidos e com baixa autoestima, com necessidade de autoafirmação, além de propiciar a manifestação de sintomas de doenças psicossomáticas, de transtornos de aprendizagem, emocionais e psicopatologias graves”.

O psiquiatra e educador Içami Tiba, afirma “o enfrentamento do bullying, além de ser uma medida disciplinar, também é um gesto cidadão tremendamente educativo, pois prepara os alunos para a aceitação, o respeito e a convivência com as diferenças”.

A verdade é que o bullying escolar sempre existiu, a ação da violência é a mesma de 20, 30 anos atrás, mas precisamos ter um novo olhar, novos conceitos sobre as pessoas, sobre a sociedade e sobre o mundo. As velhas opiniões e visões não servem mais para essa sociedade.

Precisamos de pessoas que não só respeite o diferente, mas que compartilhe ideias e sentimentos de generosidade, tolerância e amor, e conceitos de ética e cidadania. Temos que desenvolver a consciência que o bullying fere emocionalmente e fisicamente nossas crianças e adolescentes, ou melhor, as pessoas.

A criança ou adolescente que é agredido pela sua cor da pele, pela sua cultura, crença ou orientação sexual, é privada de sua liberdade, de ser quem ela é, e infelizmente sabemos que existe essa prática da violência dentro da escola, que às vezes velada e da crueldade dos bullies, que na maioria das vezes também são vítimas.

Vale aqui ressaltar que inúmeras escolas através do seu projeto político pedagógico promovem ações com o objetivo de discutir, combater e promover a conscientização dos efeitos do bullying nas pessoas. Nesse processo envolvem diversos profissionais como: professores, pedagogos, psicólogos e até médicos por meio de palestras e debates entre os estudantes.

O bullying na escola não é uma “brincadeira de mau gosto” própria da idade escolar. É algo que pode trazer consequências sérias na vida de uma criança e adolescentes, pois quando se tornarem adultos levarão consigo essa violência, desrespeitando e agredindo suas esposas e filhos ou seus esposos, maltratando as pessoas com palavras duras e grosseiras, inclusive no ambiente profissional.

Por Sandra Padula – Mestre em Educação, Arte e História da Cultura, Psicóloga, Pedagoga, Neuropsicopedagoga e Fundadora do Espaço Diálogos do Saber

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